20 agosto 2012 | 14:57

De Londres 2012 para o Rio 2016

Por Tátil

Fred Gelli, Daniel Souza e Rapha Abreu acompanharam cada detalhe da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos em Londres. Eles narram abaixo como se sentiram nesse momento tão especial para eles, para a Tátil e para todos os brasileiros.

” Uma marca sendo vista por mais de um bilhão de pessoas no mundo todo”
(por Fred Gelli)


A festa estava absolutamente incrível! Todo mundo comentava que estava ainda mais impressionante do que a cerimônia de abertura dos jogos.

Os painéis de led em frente de cada cadeira imprimiam pixels de imagens na plateia.

Os clássicos da cultura inglesa se alternavam com os sons pop que a Gabi, minha filha de 16 anos, ouve sem parar.

Uma atmosfera especial, leve e, ao mesmo tempo, intensa rolava ali.

Depois de 17 dias de jogos impecáveis em todos os sentidos, chegava o momento de interromper por quatro anos aquele clima de paz, união, cooperação e competição, que contaminou todo mundo que participou. Dos atletas aos espectadores, das 29 modalidades de 26 esportes, disputados em Londres.

A gentileza estava por todo o lado – dos policiais aos taxistas, dos militares aos voluntários, que com seus uniformes magenta, acolheram a todos com simpatia e competência.

Naquele momento da festa, eu pensava que alguma coisa diferente acontecia ali… Parecia que a humanidade estava “de altos” esquecendo as encrencas, as diferenças e se unindo numa torcida coletiva realmente inspiradora.

O que vimos e sentimos nos estádios, nos quais fomos, tinha realmente uma energia especial. Todo mundo torcendo e aplaudindo, não importava se quem iria saltar ou correr era russo ou alemão, negro ou branco. Ninguém media aplausos e energia para estimular e valorizar o esforço e o empenho de cada atleta.

Não eram somente pessoas supertreinadas que corriam atrás de bolas, passavam por cima de obstáculos ou lançavam objetos o mais longe possível. Não eram só corpos perfeitos que se superavam nas piscinas ou reduziam décimos de segundos em marcas nas pistas. Eram pessoas que representavam de muitas maneiras, algumas das mais poderosas características do espírito humano – capacidade de superação, de união de forças, de determinação.

Eram cabeças e corações que sabiam muito bem o que queriam e que em momentos de conjunções raras, bateram recordes, fizeram mais e melhor, ultrapassaram limites. É essa capacidade e desejo malucos que nossa espécie herdou, que nos movimenta, perseguindo sempre a evolução.

Nessa hora, na Festa de Encerramento da minha primeira Olimpíada, eu pensava “por que a gente não gasta mais do nosso tempo, da nossa inteligência, das nossas preciosas vidas nesse clima, desfrutando dessa energia?”

Por que as guerras? Por que a fome de muitos fazendo o lucro de poucos? Por que tanto dinheiro gasto em armas se, quando a gente decide e usa esse pretexto Olímpico, criamos uma atmosfera como essa?

E aí, nesse exato momento um coro de crianças começa a cantar “Imagine” e, na sequência, o próprio John Lenon se materializa no meio do estádio e faz a gente, de fato, imaginar como poderia ser simples se essa festa não acabasse, de como a nossa história poderia ser diferente. Foi pura covardia. Eu chorei por essa ideia, por estar ali, por realizar a importância e a beleza do que agora eu estava vivendo em uma Olimpíada.

Tudo de que havíamos falado, a respeito do que representavam os Jogos, estava ali na minha frente, acontecendo. Não eram mais os valores Olímpicos (excelência, paixão, celebração, ética, transparência e colaboração e união entre os partícipes) em uma tela de PPT, era um sentimento que transbordava ali, no meio de mais de 80.000 pessoas cantado juntas…

A festa continua. Entram mais cores, ritmos, e provocações sensoriais de todos os tipos que nos deixavam sem ar.

O final se aproximava e, depois dos protocolos Olímpicos, chegava o momento da gente herdar essa bandeira, assumir esse megacompromisso de acender a chama daqui a 4 anos. De convidar o mundo inteiro para viver de novo aquilo tudo, agora na nossa casa, preparado do nosso jeito, com a nossa ginga e o nosso calor.

Vem Marisa e Villa-Lobos, vem o samba e a capoeira e, no momento de coroar nosso convite Olímpico, surge a nossa marca no coração daquele palco para todo mundo ver!

Que sensação maluca. Que possibilidade rara! Quanta coisa aconteceu desde o momento quando resolvemos competir por essa história toda, das primeiras ideias e linhas até aquele instante mágico que durou pouco mais do que os 100 metros rasos do Usain Bolt, mas que estampou nas primeiras páginas de muitos jornais mundo afora!

Que símbolo era aquele que representava tantos compromissos, tantos desejos? Aquela forma, aquelas cores, aquele abraço saíram das nossas cabeças, das horas e horas de muita energia criativa de cada um de nós, e agora ela estava ali, com 8 metros de altura no centro da bandeira inglesa, cercada por luzes e fogos multicoloridos, sendo vista por mais de um bilhão de pessoas no mundo todo!

Covardia de novo… O choro vem pela segunda vez por ter a certeza de que, naquele momento em que se encerrava uma festa maravilhosa, ao mesmo tempo abria um caminho longo, único, de paixão e transformação que teremos o prazer e a honra de trilhar juntos!

Exagero? Em 2016, vocês me contam…

Beijos de parabéns pra todos nós

“Is this real life?”
(por Rapha Abreu)

“Is this real life?” Essa mesma pergunta que o David fez, chapado, eu me fazia no Olympic Park durante a Festa de Encerramento dos Jogos Olímpicos Londres 2012. Olhava à minha volta e assistia a tudo me lembrando de como essa minha história com os Jogos Olímpicos começou lá em 2010 no briefing da marca Rio 2016™.

Quem poderia imaginar, naquela época, que estaríamos hoje aqui? Antes de entrarmos na arena ― eu, Fred e Dani ― com a marca impressa no peito, éramos abordados por pessoas querendo tirar foto com os brasileiros, fotografar nossas camisetas, conversar sobre os próximos Jogos Olímpicos e barganhar o meu cobiçado pin Rio 2016 dourado, que não cedi, obviamente. Era uma pequena amostra do apelo da nossa marca. Entramos e a festa começa. A imensa bandeira inglesa no centro da arena sendo preenchida por milhares de atletas e bandeiras de todo o mundo era a prova de que estávamos no maior evento do planeta e o que havíamos criado teria um impacto global. Primeira lágrima.

Ouvir ‘Imagine’ cantado pelo Lennon virtual e por criancinhas, segundo choro, lógico. Principalmente pela música falar de tudo que pensávamos sobre o espírito olímpico durante o processo de criação da marca. Mas não foram apenas lágrimas, não. Que shows incríveis e que produção! A plateia transformada numa grande tela de LEDs, os fogos, o som, as bandas! Olhava para o telão e ele não fazia jus ao que via ao vivo na minha frente. Chapante mesmo, David. Show pra inglês e o mundo verem, impecável. Chega a hora da passagem da Bandeira Olímpica para o Rio. Coração a mil. Hino nacional cantado alto e embargado, que orgulho! E começa o samba e a ‘gringarada’ vai abaixo! Não tem jeito, Brasil. Em um evento para o mundo, não lutemos contra os bons clichês.

Faltou mais samba. Mas sobrou classe com Marisa Musa Iemanjá Monte, que começa a cantar ‘Aquele Abraço’… meu olho enche d’água. No centro da arena surge o nosso símbolo olímpico inflado, gigante, lindo. Aguenta coração! No Dia dos Pais, estava ali celebrando um filho que renascia aos olhos de todo o globo. Eu chorava e pensava: como que aquela marca saiu da clausura daquele quarto branco e foi parar ali? Como que aquilo que a gente desenhou cheio de esperança lá em São Conrado cruzou o oceano e chegou até ali, dando show pra todo o mundo? Dá pra acreditar? Aos poucos vou achando que sim. Que essa é a vida real daqui pra frente sim, David! Com o peito cheio de orgulho e sem falsa modéstia, acredito que fizemos história. E que está apenas começando. 2016, aí vamos nós!

 

“A representação da união de uma torcida”
(por Daniel Souza)

Viver o inimaginável. Ver um sonho se tornar realidade. São frases fortes, com significados profundos. Ainda assim, são apenas palavras, incapazes de descrever a emoção de fazer parte da história. E quando é possível fazer isso duas vezes em apenas 3 horas? Talvez seja o mais próximo que se pode chegar do sublime. Imaginar o processo que culmina (até agora) neste momento é lembrar a construção da história de uma cidade, de um país e, por que não, do mundo.

Faço questão de me lembrar sempre que tudo começou com a representação da união de uma torcida, passou pela forma da vontade incontestável de uma cidade em fazer história e foi coroado com a honra de mostrar o que há de melhor nos homens e no Rio.

Como poucas pessoas, tenho imenso orgulho de saber que ajudei a construir essa trajetória. Poder estar presente na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos é ver essa história ganhando cada vez mais corpo. Em cada etapa superada, os sonhos e projetos tornam-se mais concretos, mais tangíveis. Estar ali presente, vendo e vivendo tudo aquilo que outras pessoas ― que estiveram antes no meu lugar ― fizeram se tornar realidade já é profundamente emocionante.

As lágrimas corriam sozinhas antes mesmo da festa começar. Por dentro, apenas uma sensação de gratidão por poder estar ali compartilhando esses momentos. Some a isso a euforia de 87.000 pessoas de diversas nacionalidades festejando, cantando e vibrando em uma megaprodução impecável, embalada por mensagens e trilha sonora feita ali, na hora, por ícones e ídolos que marcaram diversas etapas das vidas dessa multidão. Mais lágrimas. Mas parece que ainda não é o suficiente. É chegada a hora de ver o resultado de 5 anos de esforço e trabalho sendo apresentado para, pelo menos, 1 bilhão de pessoas simultaneamente.

Orgulho, alegria, gritos, lágrimas, fotos, vídeos, bandeiras, palmas… O que fazer frente a tamanho turbilhão de emoções?! Por incrível que pareça, o mais simples foi o melhor. Olhar ao meu redor e ver a emoção e a aceitação de todos pelo que optamos mostrar ao mundo há dois anos foi semelhante a estar no olho do furacão. Essa validação trouxe a serenidade inesperada para aquele momento e a certeza de que o caminho que apontamos diante de nós mesmos é promissor e potente.

Uma certeza refletida nos inúmeros pedidos de fotos e entrevistas antes mesmo que as pessoas imaginassem ver um pouquinho do que temos a oferecê-las. Oxalá isso tenha sido apenas a ponta do iceberg e que os próximos quatro anos venham consolidar esses sentimentos que inundaram uma inesquecível noite de domingo.

 

7 Comentários para "De Londres 2012 para o Rio 2016"

  1. Parabéns a Tátil pelo excelente trabalho desenvolvido para Olimpíadas 2016. Precisamos de mais projetos competentes capazes de representar o Brasil como este da Olimpíadas.

    Parabéns e Sucesso para toda a equipe

  2. desculpe-me, você também desenhou os pictogramas para cada esporte? se sim, onde eu podia vê-los? obrigado

    • Grato! e parabe9ns!Funcionou para o notebook copamq presario c750br com o kurumin NG instalado. Pore9m tem algumas arestas para aparar. Tive que fazer um script para configurar a ath0, route e desligar a eth0. Ainda ne3o te1 100% o script (vou postar no ff3rum do kurumin NG, se eles tiverem uma solue7e3o para alternar entre as NIC’s eu posto o link aqui.

  3. Pingback: A Typographic Look Ahead At Rio 2016 | The FontFeed

  4. Bruno,que bom que veio e comentou.Veja que etmasos por tudo que vocea disse ainda nas mudane7as para dentro, internas, envolvendo empresas e pessoas que lidam diretamente com a informae7e3o ou a distribuie7e3o desta (indfastria de mfasica.).A Internet, conforme coloco neste post, tem seus limites e barreiras, por mais que ne3o gostemos.Sem dfavida, ela je1 trouxe ve1rias mudane7as, mas ainda do ponto de vista do dentro para dentro, em alguns casos pontuais, de dentro para fora, mas ainda muito perto do mundo informacional.Temos que comee7ar a fazer o movimento agora de dentro usando seus recursos, para fora.Em relae7e3o a pergunta: Atualmente etmasos no meio desta briga, quem vai ganhar? As gravadoras ou a distribuie7e3o ilegal de mfasicas? Acredito que teremos novas empresas que vivem da mfasica aliados a usue1rios que gostam dela.Todos ire3o ganhar, exceto aqueles que ne3o quiserem esse novo mundo.Havere1 sempre produtores e distribuidores de bens culturais e usue1rios interessados em consumi-los.O como e9 mutante e quem entender isso, vai estar sempre no mercado .Grato pela visita;;; Luis, concordo em geanero, nfamero e grau, principalmente de que devemos voltar aos filf3sofos para ne3o perdermos o bonde da histf3ria, gostei bastante da frase: A tecnologia deve ser fatil ao indivedduo, embora o homem cada vez mais viva em fune7e3o da tecnologia. abrae7os,Nepf4

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *