A Marca dos Jogos Olímpicos Rio 2016™ envolveu e encantou o público com as curvas da sua inovadora tridimensionalidade. Logo ficou conhecida ao redor do mundo como “marca escultura”, reafirmando um convite irresistível à experiência.
Desde o momento em que foi lançada, observamos atenciosamente as diferentes percepções das pessoas em ocasiões diversas. Uma delas, inclusive, foi a visita ao Instituto Benjamin Constant, onde nos emocionamos ao constatar que a força do significado ultrapassava mais barreiras do que imaginávamos.
Com a Marca dos Jogos Paralímpicos Rio 2016™, sentimos nosso desafio e responsabilidade crescerem. Ser tridimensional deixou de ser novidade e passou a ser briefing. Tínhamos que dar novos contornos à mesma essência em um símbolo ainda mais inovador, que tivesse um entendimento global – chegasse a todos os lugares e falasse com todas as pessoas.
Mergulho no universo paralímpico: acessibilidade x universalidade
Naturalmente, “acessibilidade” foi uma das palavras que mais escutamos ao conversarmos com os públicos de interesse. Grandes reflexões foram feitas sobre essa palavra ter perdido a força do seu significado. Portanto, queríamos abordar essa questão de uma maneira nova, mais envolvente.
Durante o briefing com os governos, participamos de um debate sobre o design universal e saímos ainda mais apaixonamos por esse conceito. Ouvimos do Antônio José Ferreira, secretário nacional substituto da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que “o que é altamente especializado, customizado para deficientes, é normalmente também segregador, difícil e caro. Exclui, não inclui.”
De acordo com o dicionário, universalidade é “o que se contrapõe à particularidade”, um casamento perfeito com o nosso objetivo de ser para todos de uma só vez.
Como criar uma marca que fosse reconhecida, entendida, sentida, experimentada da maneira mais universal possível? Baseamos nosso princípio criativo em duas premissas.
Símbolos universais – facilidade de compreensão e conexão com o mundo inteiro
Talvez o grande legado deixado pela Marca dos Jogos Olímpicos Rio 2016™ tenha sido a força do uso de símbolos universais. O entendimento, a identificação e a receptividade que foram observados deixaram claro que a Marca dos Jogos Paralímpicos Rio 2016™ não poderia tomar um caminho diferente, principalmente por ser um desafio ainda maior. Era fundamental – mais uma vez – que a mensagem chegasse de forma clara aos 7 bilhões de expectadores que farão contato com essa marca pelos próximos 5 ou 6 anos.
Nosso desafio era encontrar símbolos que tivessem esse poder de comunicação e ao mesmo tempo espelhassem a essência de Rio 2016™ e os ideais do movimento paralímpico internacional.
Chegamos a três signos com associações positivas ao redor do mundo, que expressam crescimento, determinação, expansão e otimismo, dando forma, força e significado universal à Marca dos Jogos Paralímpicos Rio 2016™:
A espiral: representa performance, superação. Desenha uma trajetória evolutiva, ascendente.
O infinito: simboliza a garra inerente ao espírito paralímpico. Uma energia poderosa, inesgotável, cíclica.
O coração: centro vital de todo ser humano. Fonte que pulsa, nutre e move o espírito. Representa igualdade e reforça a percepção de que, por dentro, somos todos iguais.
Uma marca multissensorial
Decidimos também que essa marca seria multissensorial. Deveria instigar os sentidos para gerar sentimentos e irradiar, por fim, os significados.
Entendemos que ela só faria sentido plenamente se fosse capaz de criar uma conexão com todos os públicos, fazer com que as pessoas se reconhecessem e se sentissem representadas naquele símbolo. Nosso desejo era que ela pudesse ser experimentada por qualquer um – atleta ou não, deficiente ou não – e, mais do que isso, fosse capaz de reagir a esse encontro. A partir de então, tornou-se uma prioridade usar o design como ferramenta para promover a acessibilidade de forma inteligente e ampla.
Mas como promover essa experiência? De que forma essa marca deveria interagir com as pessoas? Baseados nas informações coletadas ao longo do processo através dos encontros, reuniões e entrevistas, concluímos que três sentidos deveriam ser estimulados e, dessa forma, transmitir a sensação de que a marca pulsava. Mais do que isso, era necessário que a marca parecesse viva.
Por ser tridimensional – e dessa forma poder ser manipulada –, a primeira e mais óbvia escolha seria estimular o tato. Suas curvas deveriam ser capazes de representar a agressividade presente na performance e na garra dos atletas em sua constante superação, mas ao mesmo tempo serem agradáveis e confortáveis ao toque. Suas formas têm o desejo de instigar a descoberta do que vem adiante, ao mesmo tempo que revelam símbolos tão presentes no nosso inconsciente.
Em resposta ao contato nossa marca vibra, como vibram os atletas e o público com as conquistas e feitos. Como deve vibrar um coração que pulsa com energia infinita. Essa vibração vem da propagação do som que a marca emite, nossa segunda escolha sensorial. Esse som simula simultaneamente a respiração que acompanha o batimento do coração e os gritos da torcida que impulsionam os atletas a irem sempre além.
Nossa terceira escolha foi “materializar” a força propulsora do espírito em movimento, tornando-a visível. Com a ajuda de luzes, programadas para obedecer a uma sequência de acendimento, damos “corpo” a esse espírito, fazendo com que sua trajetória desenhe mais uma vez o símbolo de infinito, reforçando a ideia de que essa fonte é inesgotável.
Para que tudo isso fosse possível, foram instalados na escultura diversos sensores fotossensíveis que, de acordo com a proximidade das pessoas, acionavam uma programação em três níveis graduais, do mais fraco ao mais intenso.
Missão cumprida?
O que pudemos vivenciar no dia do lançamento foi muito além do que imaginávamos. Depoimentos emocionados, elogios surpreendentes e um sentimento de alegria, satisfação e agradecimento de todos que aguardavam aquele momento.
“Quando a toquei, com o som da torcida e do coração pulsando, passou um filme da minha carreira na minha cabeça. Mexeu demais comigo. Ela é muito bonita.” – Adria dos Santos
Adria dos Santos, nossa maior medalhista paralímpica, se emocionou de tal forma no evento de lançamento da marca que contagiou a todos. Ela disse ser a primeira vez, em 24 anos de carreira, que ela pode ter contato com a marca que sempre representou o que existe de mais importante em sua vida!







Que isso?
Também me emocionei! Tente colocar-se no lugar de Ádria dos Santos e tantos outros que sentirão essa marca, é especial, não foi feita pra mim, foi feita pra todos, o que a torna mais legal ainda, imagina a expressão de cada um que terão esse contato. Incrível!
Parabéns pela criação! Estou repensando muito agora sobre a acepção à palavra “sentir”.
Gostaria muito de poder ter essa experiência com tal marca.
Abraço a todos!