Estratégias, Expressões e Experiências de Marca.

Workshop IDEAS na Autodesk


Redesign da educação!
por Fred Gelli

Marianne Abreu, da Singularity University, Linda Maepa, COO da ElectronVault, Inc e eu!

A Autodesk, como maior desenvolvedora de softwares para Design e Engenharia do mundo, é uma das maiores apoiadoras do TED talks.

Desde o começo desse ano, eles estão apostando na criação de um novo fórum de discussões multidisciplinares, tentando recuperar o caráter mais intimista que existia na proposta original do TED, que acabou se transformando quando ganhou escala e popularidade.

O evento se chama “IDEAS: The innovation + design series”. Nesta, que foi a 3ª edição (29 e 30/agosto), eu e minha filha, Alice, que hoje está estagiando na CRIA, fomos convidados a participar. O convite veio do Jon Pittman que é vice-presidente estratégico da Autodesk, e um dos “Global Advisors” da CRIA.

O tema foi: “Como o design pode influenciar positivamente a relação das pessoas com as redes sociais”.

Nas edições anteriores, Dhaval Chadha e Florencia Estrade, nossos sócios na CRIA, foram convidados a falar sobre o tema.

O evento tem um formato bem interessante: são ao todo 40 pessoas das mais variadas áreas, como empreendedorismo, biotecnologia, design, tecnologia, antropologia e áreas estratégicas do pensamento, que se revezam em apresentações de 15 minutos, nos moldes do TED e, na sequência, é aberta uma discussão. Foram dois dias intensos dentro da sede da Autodesk em São Francisco (que tem uma supergaleria com exemplos incríveis dos projetos desenvolvidos com os softwares deles. Do novo carro-conceito da Mercedes até a uma amostra dos cabos de fibra de carbono e aço que seguram a Golden Gate).

Nessa edição, o moderador era Tom Wujec, que trabalha na Autodesk. Ele já escreveu três livros sobre pensamento criativo e é pioneiro em “business visualization”, que consiste na utilização de imagens, desenhos e infográficos que ajudam os grupos a resolverem problemas complexos.

A Alice foi chamada porque, no ano passado, quando viajamos juntos para São Francisco, estivemos com o John, que se empolgou com a paixão dela pelo design e também pelo fato de a sua geração ser um dos focos de interesse para a discussão da influência das redes sociais no presente e no futuro.
Resolvemos fazer uma apresentação conjunta. Abordamos especialmente a relação dos jovens de 15 a 18 anos com as redes sociais e de como ela parece subaproveitada.

No grupo estavam Brian David Johnson, diretor futurista na Intel que trabalha com cenários futuros e pesquisa de experiência, Chris Anderson, editor chefe da Wired Magazine, Chris Conley, fundador e presidente da Gravitytank, Kevin Farnham, diretor executivo da Method, Nathan Waterhouse, líder na OpenIDEO e Scott Belsky, CEO do Behance, isso só para citar algumas das incríveis pessoas presentes!

Alice trouxe a experiência dela em pesquisa de campo com jovens de baixa renda, feita pela CRIA, para um projeto da Coca-Cola, e nós cruzamos esses dados com o potencial transformador que a internet oferece; se fosse mais bem explorada. A premissa é: 90% do tempo gasto na rede pelos jovens acontecem nas redes sociais, e o propósito se limita à fofoca(!), ao voyeurismo e aos vídeos-piada do YouTube.

Nada contra, mas nosso ponto foi: esse jovem que chamamos de “jovem na virada” vai herdar uma bomba-relógio que vem sendo construída com “esmero” pela humanidade nos últimos 50 anos, e eles terão que ter a capacidade de desarmá-la! A questão era: como eles estão sendo preparados para essa tarefa arrojada? O fato é que a internet contém hoje todo o conhecimento acumulado pela humanidade e certamente poderia ser uma poderosa fonte de “formação” pra essa turma! Então por que os jovens diante de uma biblioteca com milhares de livros incríveis se restringem a navegarem em apenas três ou quatro sites? Facebook, Twitter, Orkut e YouTube?

Nossa aposta é a de que faltam convites mais atraentes para despertar o interesse desses jovens pelos outros “livros”. E, claro, o design é a ferramenta para potencializar esses convites e seduzi-los para outros assuntos, o que poderia funcionar como uma ampliação do universo por onde eles hoje transitam e contribuir radicalmente para o processo de educação e formação desses jovens. Sabemos que eles são sensíveis ao design e às experiências que são proporcionadas por eles. Como seriam essas “armadilhas sensoriais”? Nesse momento, fizemos uma conexão com o projeto de Biomimética, que desenvolvemos na Tátil há 4 anos quando estudamos as flores e seu poder de atrair e envolver pássaros e insetos em sua estratégia revolucionária de reprodução, que garante um ganho gigantesco de diversidade para o reino vegetal.

Diversidade- é exatamente isso que precisamos gerar no universo desses jovens, hoje restritos ao “vício” do Facebook!

Trouxemos vários exemplos de como o time de “designers da natureza” desenvolveu soluções absolutamente geniais para atrair “clientes” com perfis muito diferentes e fizemos vários paralelos de como poderíamos usar uma estratégia semelhante para nosso briefing.

Na sequência, mostramos alguns cases bem-sucedidos de envolvimento do nosso público-alvo em temas relevantes, como o projeto da NAVE, do Oi Futuro, desenvolvido pelo Jair de Souza, que hoje obtém ótimos resultados através de uma proposta arrojada de uso da tecnologia de games no processo educativo, até recursos de Storytelling, que de uma forma direta e atraente espalha vídeos com conteúdos relevantes na internet com grande capacidade de atrair os jovens.

Concluímos a palestra defendendo o DESIGN como ferramental capaz de “costurar” o conhecimento necessário para criar não só os convites sedutores para essa moçada, mas também redesenhar a forma como o conteúdo é apresentado. A proposta é: Redesign da Educação!

A apresentação ficou bem bacana e original e acho que a turma gostou bastante pela discussão que ela gerou. Eu ainda me surpreendo como a Biomimética tem o poder de atrair e inspirar as pessoas.

No segundo dia, eu e Alice ainda participamos do que eles chamam de “Fight Club” – onde um “podium” é montado e um assunto é apresentado, sendo atacado e defendido por duas pessoas com luvas de BOX. Cada uma delas tem 45 segundos para apresentar seus argumentos. Tom Wujec, agora com um paletó rosa de juiz de box, usava um sino típico para pontuar os “argumentos” mais contundentes. Eu e Alice trocamos os papéis: eu representando um adolescente que quer simplesmente ficar na fofoca do Facebook com um BlackBerry na mão o tempo todo. E Alice fez o papel do “pai”, que tenta desesperadamente convencê-lo de que existe um mundo na rede para ser explorado. No final, os outros participantes definiram o vencedor do combate por aclamação: Alice ganhou!

4 comentários

  1. Allan Moura /

    Sensacional Fred!!! Voce poderia disponibilizar a apresentacao?? ou a gravacao da apresentacao se tiver?? Tem algum artigo escrito sobre este estudo de Biomimética das flores que voces fizeram na Tatil??? Parabens!!!

    • Oi Alan, legal vc ter gostado.
      Na verdade acho que o mais bacana será o video da palestra que vamos colocar no ar assim que eles nos enviarem como prometido.
      Quanto ao projeto das flores vc pode dar uma olhada na palestra que fiz no TEDx Sudeste.
      Abs
      Fred

      • Allan Moura /

        No seu video da TEDxSudeste além do twitter, a seguinte frase “os sistemas naturais são CIRCULOS FECHADOS, sem pontas, como em um nó celta.” me fez lembrar do google+ !!! Parabens…gostaria muito de ter a oportunidade de te conhecer pessoalmente…vou estar no TEDxESPM…Abs

  2. Fred, seus conhecimentos, sua experiência e sua paixão por Design estão sendo requisitados por nós, matogrossenses ! Gostaríamos de tê-lo conosco no Seminário de Design, que faremos em Cuiabá – no final de novembro 2011, para motivar as micro e pequenas empresas a inovarem, agregando valor via Design.
    Não conseguimos seu telefone, por favor, nos retorne se tiver agenda em novembro ! Telefone: 65 3648 1275 ou 1276, falar com Melina ou comigo. Conto ansiosa por seu retorno, Eliane.

Deixe um comentário